segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Desencanto - Manuel Bandeira






Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.




Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.




E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.




- Eu faço versos como quem morre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário