sábado, 27 de fevereiro de 2016

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO - Augusto dos Anjos




Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênesis da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.




Profundíssimamente hipocondríaco, 

Este ambiente me causa repugnância... 

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 

Que se escapa da boca de um cardíaco.




Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas 

Come, e à vida em geral declara guerra,




Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 

E há-de deixar-me apenas os cabelos, 

Na frialdade inorgânica da terra!


Nenhum comentário:

Postar um comentário