quinta-feira, 3 de março de 2016

Bacanal - Manuel Bandeira







Quero beber! Cantar asneiras

No esto brutal das bebedeiras

Que tudo emborca e faz em caco…

Evoé Baco!




Lá se me parte a alma levada

No torvelim da mascarada,

A gargalhar em douro assomo…

Evoé Momo!




Lacem-na toda, multicores,

As serpentinas dos amores,

Cobras de lívidos venenos…

Evoé Vênus!




Se perguntarem: Que mais queres,

além de versos e mulheres?

- Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…

Evoé Baco!




O alfange rútilo da lua,

Por degolar a nuca nua

Que me alucina e que não domo!…

Evoé Momo!




A Lira etérea, a grande Lira!…

Por que eu extático desfira

Em seu louvor versos obscenos,

Evoé Vênus!

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