Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Is everyone hanging out without me e a adorável Mindy Kaling


Eu já conhecia a Mindy Kaling por causa do The Office, série na qual ela interpretou a personagem Kelly Kapoor, além de escrever, produzir e dirigir vários episódios. Também já tinha ouvido dizer que sua personagem era meio que uma versão exagerada da atriz. Só pelo fato de ela ser uma das mentes brilhantes por trás desse programa, eu já simpatizava com Kaling, mas o que me fez decidir comprar Is Everyone Hanging Out Without Me? foi um trecho do livro que eu li em algum site, que discorria sobre a situação da comédia romântica na atualidade. 

Is Everyone Hanging Out Without Me? é uma leitura bastante fácil, seu tom casual dá a impressão de que a autora está simplesmente falando ao telefone com uma amiga. Não sou muito fã de biografias ou autobiografias, mas o livro de Mindy Kaling se aproxima mais de uma coletânea de colunas soltas de um jornal, revista ou mais acertadamente de um blog sobre cultura pop. A própria autora entende perfeitamente a vibe de seu livro diz: 

“Você só vai levar dois dias para ler esse livro. Você viu a capa? É praticamente toda rosa. Se você estiver lendo esse livro todas as noites, por meses, algo está errado.” 

Realmente “Is Everyone Hanging Out Without Me?” é uma leitura fácil, mas isso não é um demérito e Mindy Kaling atinge seus objetivos, eu acredito que o livro seja exatamente o que ela quis que ele fosse. Os temas abordados são bastante variados. Realmente variados. Vou citar os nomes de alguns capítulos: 

Etiqueta de Karaokê; 

Os direitos e responsabilidades de melhores amigas; 

Tipos de Mulheres em Comédias Românticas que não são reais; 

O dia que eu parei de comer cupcakes; 

Instruções precisas para o meu funeral. 

Apesar de cheio de partes sobre romance, comédias românticas e afins, Is Everyone Hanging Out Without Me? também é cheio de sororidade e feminismo. Um dos melhores momentos do livro é aquele em que Mindy fala sobre como Amy Poehler é incrivelmente incrível, coisa que eu já suspeitava. Mas falando sobre feminismo, há alguns trechos interessantes: 

Porque você não falou sobre se mulheres são engraçadas ou não? 

Eu só senti que comunicando isso de algum modo, seria uma aprovação tácita disso como um debate legítimo, o que não é. Seria o mesmo que falar sobre o assunto: “Gatos e cachorros deveriam poder cuidar de crianças? Eles já estão na casa mesmo.” Eu tento não discutir seriamente assuntos sem sentido.

O melhor de tudo são os insights sobre comédias românticas, que demonstram a percepção de como a indústria do cinema pode ser absurda em relação à representação feminina: 

A mãe de 42 anos do protagonista de 30: Eu estou tão acostumada ao fenômeno da mãe jovem, que quando eu vi o pôster de A Proposta, eu imaginei por um segundo se a proposta do filme seria Ryan Reynolds sugerindo mandar sua mãe, Sandra Bullock, para um asilo." 

Eu simplesmente considero comédias românticas um subgênero de ficção cientifica, na qual o mundo criado tem regras diferentes das do meu mundo humano normal.

Pra mim, esse é a perfeita definição do que sejam comédias românticas! Mindy Kaling é genial! O estilo e a personalidade da autora são facilmente reconhecíveis em Is Everyone Hanging Out Without Me? e isso faz com que seu livro seja muito acessível. Acho que já dei muitos spoilers, mas só para terminar vou dizer que é impossível não gostar de um livro escrito por uma mulher inteligente e engraçadíssima, cheio de menções à cultura pop, Jane Austen e Colin Firth. É uma ótima leitura para qualquer um que goste de rir!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Minas na Literatura




Virginia Woolf

Então, né? Não existe mais machismo. Feminazi é tudo doida, vitimista, mimimi.  Pois é, eu quero ser escritora. Ou sou, não sei bem como funciona isso. Fiz letras e tenho quase pós – não fiz a monografia, mas cursei todas as matérias.

J.K. Rowling
Um dia pedi indicações de literatura contemporânea para um professor. Ele mencionou vários escritores, mas, grande surpresa, nenhuma escritora. Perguntei se ele não tinha nenhuma escritora para indicar, mas ele não conseguiu se lembrar de nenhuma. Fiquei meio puta, achei meio absurdo.

É muito absurdo.

Numa universidade, falando com especialistas e nada.

Clarice Lispector
Em uma pesquisa feita por Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB), constatou-se que cerca de 93,9% dos escritores são brancos, 72,7% são homens, 47,3% moram no Rio e 21,2% moram em São Paulo.

Desses dados surgem duas possibilidades.

Primeira. Homens brancos residentes no eixo Rio-São Paulo são melhores e têm mais inclinação para a literatura que os demais brasileiros.

Segunda: preconceito. Talvez os não-homens-brancos-Rio-São-Paulo não tenham as mesmas oportunidades.

O que será? Hmmm...


Maya Angelou
Eu sempre tento ler obras escritas por mulheres, negros, LGBTs, mas, mesmo assim, entre meus livros a maioria é de autoria dos ditos cujos: homens brancos Rio-São Paulo. Se alguém te pedisse pra listar cinco escritores contemporâneos – contemporâneos mesmo, que estão publicando agora – quantos deles seriam mulheres? Negros? Trans?

Tá feia a coisa... Passou da hora de todo mundo ter voz, representatividade, protagonismo e tudo a quem tem direito. Imagina que delícia ler o mundo sob outras perspectivas?

Quem sabe as coisas mudam um pouquinho... já passou da hora.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

* Still I Rise - Maya Angelou *

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may tread me in the very dirt
But still, like dust, I'll rise.

Does my sassiness upset you? 
Why are you beset with gloom? 
'Cause I walk like I've got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I'll rise.

Did you want to see me broken? 
Bowed head and lowered eyes? 
Shoulders falling down like teardrops.
Weakened by my soulful cries.

Does my haughtiness offend you? 
Don't you take it awful hard
'Cause I laugh like I've got gold mines
Diggin' in my own back yard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I'll rise.

Does my sexiness upset you? 
Does it come as a surprise
That I dance like I've got diamonds
At the meeting of my thighs? 

Out of the huts of history's shame
I rise
Up from a past that's rooted in pain
I rise
I'm a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that's wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quando crescer quero ser... Elizabeth Bennet


Orgulho e Preconceito, filme de 2005


Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) é o livro mais popular de Jane Austen e Elizabeth Bennet sua personagem mais querida pelos leitores. Além de inteligente, é perspicaz, dinâmica e, ao invés de se escandalizar com a pequeneza dos outros, ri dela. Confiante, ela não se importa em ser diferente e nem em dar voz a suas opiniões. O romance de Jane Austen narra como Mr. Darcy corteja e conquista Elizabeth. Apesar de sua clara superioridade aos olhos da sociedade é ele quem precisa se esforçar para se tornar digno do amor da moça. 

Mas o que torna a heroína de Orgulho e Preconceito tão especial? Elizabeth tem uma mente independente. Em sua recusa à proposta de casamento de Mr. Collins e, em seguida, a de Mr. Darcy, Elizabeth desafia as regras da sociedade e o senso comum da época. Mr. Collins poderia evitar o desamparo da família após a morte de Mr. Bennet e Mr. Darcy é a definição de um bom partido: rico e solteiro. Ao negar as duas propostas de casamento recebidas, ela desafia sua posição social e sua condição de inferior em uma sociedade na qual a mulher só tem valor como esposa. Elizabeth parece não ter problemas em continuar solteira até que encontre alguém que possa realmente aceitar. 

A vivacidade intelectual de Elizabeth e sua disposição para argumentação não deixam de chamar atenção e causar alarme, um dos momentos em que Elizabeth é mais incrível acontece no final do capítulo oitavo numa conversa entre Mr. Bingley, suas irmãs, Elizabeth e Mr. Darcy: 

Apesar do grande número das minhas relações, não posso gabar-me de conhecer mais de meia dúzia de moças realmente prendadas. 
— Nem eu — disse Miss Bingley. 
— Nesse caso — observou Elizabeth — deve exigir muitas qualidades para o seu ideal de mulher prendada.
— De fato, exijo muitas qualidades.
— Oh, certamente — exclamou a sua fiel aliada.
— Nenhuma mulher pode ser realmente considerada completa se não se elevar muito acima da média. Uma mulher deve conhecer bem a música, deve saber cantar, desenhar, dançar e falar as línguas modernas, a fim de merecer esse qualificativo, e além disso, para não o merecer senão pela metade, é preciso que possua um certo quê na maneira de andar, no tom da voz e no modo de exprimir-se.
— Sim, deve possuir tudo isso — acrescentou Darcy. — E acrescentar ainda alguma coisa mais substancial: o desenvolvimento do espírito pela leitura intensa.
— Já não me espanto de que conheça apenas seis mulheres completas, espanto-me é de que conheça alguma. 
— Julga com tanta severidade o seu sexo, que duvida da possibilidade de tudo isto? 
— Eu nunca vi uma mulher assim. Nunca vi tanta capacidade de aplicação, gosto e elegância reunidas numa só pessoa. 

Elizabeth, ao ouvir as palavras de Mr. Darcy, recusa sua noção do que uma dama deveria ser, ela não se encolhe ante as opiniões daqueles socialmente superiores e nem deixa de mostrar seu desdém pelo exagero das exigências impostas à mulher. Pode parecer bobo hoje em dia, mas é preciso lembrar que Orgulho e Preconceito foi publicado numa época em que mulheres não tinham direitos. Se hoje muitas mulheres sofrem retaliação apenas por falarem o que pensam, imagine a situação dois séculos atrás, por isso esse diálogo aparentemente banal representa um grande desafio à opressão exercida sobre as mulheres. 

Os defeitos de Elizabeth a tornam real e acessível, ela é cínica e às vezes implacável, quando sua amiga Charlotte Lucas anuncia que se casará com Mr. Collins, Elizabeth fica estupefata e reflete que nunca verá a amiga com os mesmos olhos novamente. A heroína também é rápida a julgar, depois que ela forma uma certa opinião sobre Mr. Darcy, demora a dissuadir-se dela, e por conta disso, por muitas vezes o trata de maneira rude. 

Orgulho e Preconceito, mini série da BBC de 1995
A história de amor entre Elizabeth e Darcy só funciona porque os dois são parecidos, ambos são honestos e tentam corrigir seus erros e defeitos assim que os percebem. É por isso que Elizabeth só aceita Darcy depois que ele ouve seus motivos para a recusa da primeira proposta de casamento e tenta corrigi-las. Quando isso ocorre, ela revisa sua opinião sobre ele e percebe seu equivoco. Ele prova que não é orgulhoso ao extremo pelo modo como trata Elizabeth mesmo depois dela o ter rejeitado. E ao invés de se ressentir de sua independência, a admira por isso. 

Os amantes valorizam coisas diferentes da grande maioria das outras personagens. Darcy admira a independência de Elizabeth e só passa a considerá-la bonita, depois de ela ter provado seu valor aos seus olhos. Elizabeth acredita que para ser feliz é preciso mais que dinheiro e um marido. Ambos procuram afinidade de espírito e é por isso que podem ser felizes juntos. 

O trajeto dos dois na história é muito parecido, mas é Elizabeth quem ensina Darcy sobre o amor. Em sua primeira proposta ele não tinha dúvidas da aquiescência dela. Para ele, era inimaginável que ela recusasse a honra de pertencer a ele. Nesse relacionamento complexo, tanto Elizabeth quanto Darcy se tornam melhores a partir do momento que assumem seus erros e tentam corrigi-los, o caminho para os dois ficarem juntos é um de aprendizagem, no qual ambos precisam repensar suas crenças e avaliar suas falhas. Quando finalmente conseguem se unir, é porque há uma igualdade de inteligência, sensibilidade e reconhecimento do valor alheio. Elizabeth sabe que nem todo casamento é capaz de trazer felicidade e é por isso, que só se entrega a alguém capaz de a admirar e respeitar tanto quanto merece.  


Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen faz uma crítica à obsessão da sociedade de sua época com o casamento, assim como a falta de opções para mulheres (que só podem ascender socialmente pelo casamento). Elizabeth nega e desafia esses valores, ela é responsável pela construção de sua felicidade. A heroína mais adorável de Jane Austen controla o rumo de sua vida e se esforça para não cair nas armadilhas da vida em sociedade. Elizabeth encontrou a felicidade no casamento, mas se isso não tivesse acontecido, ela ficaria bem, pois escolheu ser uma pessoa completa e não somente uma esposa. Por isso, ela é um exemplo de integridade e força, é claro, sem perder o charme que a faz tão atraente até os dias de hoje.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Porque não ando me sentindo nada fenomenal



Phenomenal Woman



Pretty women wonder where my secret lies.
I'm not cute or built to suit a fashion model's size
But when I start to tell them,
They think I'm telling lies.
I say,
It's in the reach of my arms
The span of my hips,
The stride of my step,
The curl of my lips.
I'm a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That's me.

I walk into a room
Just as cool as you please,
And to a man,
The fellows stand or
Fall down on their knees.
Then they swarm around me,
A hive of honey bees.
I say,
It's the fire in my eyes,
And the flash of my teeth,
The swing in my waist,
And the joy in my feet.
I'm a woman
Phenomenally.

Phenomenal woman,
That's me.

Men themselves have wondered
What they see in me.
They try so much
But they can't touch
My inner mystery.
When I try to show them
They say they still can't see.
I say,
It's in the arch of my back,
The sun of my smile,
The ride of my breasts,
The grace of my style.
I'm a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That's me.

Now you understand
Just why my head's not bowed.
I don't shout or jump about
Or have to talk real loud.
When you see me passing
It ought to make you proud.
I say,
It's in the click of my heels,
The bend of my hair,
the palm of my hand,
The need of my care,
'Cause I'm a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That's me.





Maya Angelou