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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Is everyone hanging out without me e a adorável Mindy Kaling


Eu já conhecia a Mindy Kaling por causa do The Office, série na qual ela interpretou a personagem Kelly Kapoor, além de escrever, produzir e dirigir vários episódios. Também já tinha ouvido dizer que sua personagem era meio que uma versão exagerada da atriz. Só pelo fato de ela ser uma das mentes brilhantes por trás desse programa, eu já simpatizava com Kaling, mas o que me fez decidir comprar Is Everyone Hanging Out Without Me? foi um trecho do livro que eu li em algum site, que discorria sobre a situação da comédia romântica na atualidade. 

Is Everyone Hanging Out Without Me? é uma leitura bastante fácil, seu tom casual dá a impressão de que a autora está simplesmente falando ao telefone com uma amiga. Não sou muito fã de biografias ou autobiografias, mas o livro de Mindy Kaling se aproxima mais de uma coletânea de colunas soltas de um jornal, revista ou mais acertadamente de um blog sobre cultura pop. A própria autora entende perfeitamente a vibe de seu livro diz: 

“Você só vai levar dois dias para ler esse livro. Você viu a capa? É praticamente toda rosa. Se você estiver lendo esse livro todas as noites, por meses, algo está errado.” 

Realmente “Is Everyone Hanging Out Without Me?” é uma leitura fácil, mas isso não é um demérito e Mindy Kaling atinge seus objetivos, eu acredito que o livro seja exatamente o que ela quis que ele fosse. Os temas abordados são bastante variados. Realmente variados. Vou citar os nomes de alguns capítulos: 

Etiqueta de Karaokê; 

Os direitos e responsabilidades de melhores amigas; 

Tipos de Mulheres em Comédias Românticas que não são reais; 

O dia que eu parei de comer cupcakes; 

Instruções precisas para o meu funeral. 

Apesar de cheio de partes sobre romance, comédias românticas e afins, Is Everyone Hanging Out Without Me? também é cheio de sororidade e feminismo. Um dos melhores momentos do livro é aquele em que Mindy fala sobre como Amy Poehler é incrivelmente incrível, coisa que eu já suspeitava. Mas falando sobre feminismo, há alguns trechos interessantes: 

Porque você não falou sobre se mulheres são engraçadas ou não? 

Eu só senti que comunicando isso de algum modo, seria uma aprovação tácita disso como um debate legítimo, o que não é. Seria o mesmo que falar sobre o assunto: “Gatos e cachorros deveriam poder cuidar de crianças? Eles já estão na casa mesmo.” Eu tento não discutir seriamente assuntos sem sentido.

O melhor de tudo são os insights sobre comédias românticas, que demonstram a percepção de como a indústria do cinema pode ser absurda em relação à representação feminina: 

A mãe de 42 anos do protagonista de 30: Eu estou tão acostumada ao fenômeno da mãe jovem, que quando eu vi o pôster de A Proposta, eu imaginei por um segundo se a proposta do filme seria Ryan Reynolds sugerindo mandar sua mãe, Sandra Bullock, para um asilo." 

Eu simplesmente considero comédias românticas um subgênero de ficção cientifica, na qual o mundo criado tem regras diferentes das do meu mundo humano normal.

Pra mim, esse é a perfeita definição do que sejam comédias românticas! Mindy Kaling é genial! O estilo e a personalidade da autora são facilmente reconhecíveis em Is Everyone Hanging Out Without Me? e isso faz com que seu livro seja muito acessível. Acho que já dei muitos spoilers, mas só para terminar vou dizer que é impossível não gostar de um livro escrito por uma mulher inteligente e engraçadíssima, cheio de menções à cultura pop, Jane Austen e Colin Firth. É uma ótima leitura para qualquer um que goste de rir!

segunda-feira, 14 de junho de 2021

A strange stirring - Stephanie Coontz

 


The Feminine Mystique and American Women at the Dawn of the 1960s 

 

 

Um programa que gosto muito de assistir é o The Daily Show, que aborda os assuntos mais presentes na mídia e expõe a construção de sua retórica e contradições. Nos últimos minutos de cada episódio, John Stewart entrevista um convidado. Foi assim que eu ouvi falar de A Strange Stirring. Stephanie Coontz era a entrevistada do dia e levantou questões muito interessantes, então acabei comprando seu livro, que fala sobre a situação das mulheres na década de 60 e sobre como o lançamento d’A mística feminina de Betty Friedan em 1963 influenciou o movimento feminista.

 

Sempre que se fala sobre o movimento feminista, A Mística Feminina é mencionada como um dos pilares de sua segunda onda. O livro, considerado um dos mais influentes do século XX, causou grande impacto na vida de muitas mulheres e ante seu sucesso, obteve uma oposição tão ferrenha quanto sua defesa. A opressão da década de 50, assim como a falsa construção da feminilidade como sinônimo de satisfação com casamento, maternidade e afazeres domésticos imposta severamente após as mais liberais décadas anteriores, na quais, devido às grandes guerras, mulheres compunham grande parte da força trabalhadora dos Estados Unidos, é especialmente tocante. Logo no início do livro, há alguns trechos de relatos que demonstram as implicações de valores cada vez mais restritivos sendo impostos: 

 

“Os pensamentos que eu tinha eram terríveis. Eu desejava ter outra vida. Eu acordava e começava a limpar e lavar roupas e me sentia miserável. Ninguém parecia entender. Minhas amigas não se sentiam assim. Eu simplesmente supus que eu seria punida de alguma forma. Isso é o que acontece com mulheres que são egoístas. Minhas amigas diziam: você é tão egoísta.” 

 

Mas o livro não é simplesmente uma exaltação de Betty Friedan e de seus méritos. Stephanie Coontz, na verdade, é bastante crítica e nomeia um de seus capítulos de Desmistificando A Mística Feminina, no qual ela lembra que apesar de todo o impacto que teve, o livro foi o resultado da insatisfação crescente e de muitos movimentos e manifestações sociais que possibilitaram sua escrita e no qual ela ressalta que, apesar de toda a veneração que o livro causa até hoje, se seu texto for analisado, ele é bem moderado, pois um dos principais objetivos de sua autora era ajudar mulheres insatisfeitas melhorarem sua vida em família. 

 

Em suma, A Strange Stirring analisa de forma detalhada o momento histórico do lançamento d'A Mística Feminina, seu impacto, seus méritos e suas falhas, além de propor questões sobre a situação atual principalmente no que tange à relação entre carreira, educação e família para a mulher moderna. O livro é ótimo para quem gostaria de conhecer mais sobre a mulher nas décadas de 50 e 60 e o movimento feminista de forma geral. Infelizmente, acredito que esse livro não tenha tradução para o português, mas para quem puder, é uma leitura interessante e enriquecedora.

Para conhecer meus livros, acesse www.mahanacassiavillani.com.br 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Antes de tudo Um teto só meu



Em 1928, Virginia Woolf, já naquela época uma renomada escritora, foi convidada pelas faculdades de Newnham e Girton, faculdades para mulheres integrantes da Universidade de Cambridge, para uma série de palestras entituladas: Women and Fiction (Mulheres e Ficção). Ela resolveu falar sobre feminismo.

A primeira parte da palestra trata da história de uma mulher que, como ela, é convidada para falar sobre Mulheres e Ficção. Virgínia conta o dia e o fluxo de pensamento dessa mulher que pondera sobre o real significado do tema em questão, o qual é vasto e pode significar muitas coisas. Interessante que durante esse dia, os pensamentos da personagem são muitas vezes interrompidos, pois ela está adentrando território masculino, um exemplo é quando tenta entrar em uma biblioteca.

A escritora continua falando sobre muitas coisas relevantes em relação a condição da mulher e sua falta de liberdade e autonomia. Também faz um panorama da história da literatura feminina e demonstra como as mulheres vêm sendo prejudicadas pelo patriarcalismo.

Uma das partes mais interessantes de A room of one's own é quando a autora discorre sobre a pobreza da representação da mulher na literatura. Elas, em sua esmagadora maioria, são mostradas de acordo com suas relações com o sexo masculino, elas são amantes, mães e filhas, mas raridade é encontrar duas mulheres que tem laços de amizades explorados em livros.

Na década de 90, Alison Bechdel, em seu quadrinho Dykes to watch out for, na tira com título The Rule, traz um tópico muito interessante quando uma das personagens explica suas regras para assistir um filme:

1. É necessário haver pelo menos duas mulheres

2. Elas tem que conversar

3. Sobre algo que não seja homens.

A tirinha termina com a personagem dizendo que faz tempo que não assiste nenhum filme.

Em 2021, em sites e fóruns sobre cinema e/ou feminismo, percebo que as pessoas ainda têm uma dificuldade enorme para encontrar filmes, livros, séries e quadrinhos que se encaixem nessas regras. Eles existem, é claro, e em grande quantidade, mas se comparado com aqueles que não se encaixam na regra, seu número ainda é pequeno, e se for analisada a mídia dominante, como blockbusters, novelas, etc, esse número fica ainda menor. O mesmo acontece com a literatura.

Foi por isso que eu, escritora, escolhi esse nome para meu blog. Sou uma mulher vivendo num mundo hostil. Estou cansada de encontrar obras de qualidade que são pouco revisadas, que são pouco estudadas pela academia e que são taxadas de literatura menor simplesmente porque quem as escreveu tem uma vagina. Já passou da hora de mudar essa situação. Sozinha, não posso muito. Mas tudo o que puder, tentarei fazer aqui. Para conhecer meus livros, acesse www.mahanacassiavillani.com.br

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Política Sexual - Kate Millett



Política Sexual, escrito por Kate Millett, foi publicado em 1970 e é considerado o primeiro livro de crítica literária feminista. A obra foi o resultado da tese de doutorado da autora e causou bastante polêmica, tanto no mundo literário quanto no feminista. 

O livro fala sobre alguns clássicos da literatura e sobre obras filosóficas e da psicologia, analisadas sob a perspectiva das relações de gênero e da representação da mulher. 

É um livro bastante denso, afinal, é uma tese de doutorado. Kate Millett encheu 361 páginas de informação condensada, cada parágrafo oferece algo novo sobre o tema discutido. Demorei um pouco para terminar de lê-lo, pois Política Sexual exige bastante concentração, tanto pela avalanche de conteúdo quanto pelo modo como o conteúdo é apresentado. 

Basicamente, o livro fala da defesa do patriarcalismo e da opressão da mulher presentes nas obras analisadas pela autora. O escopo de Kate Millett é bastante amplo, ela fala desde a primeira revolução sexual no período vitoriano até a obra de Jean Genet (1910 – 1986), seu contemporâneo. Com muitos dados históricos, o livro não pretende analisar o valor literário das obras abordadas e sim como se dá a relação de poder entre os sexos e a mistificação (ou não) do feminino e do masculino em cada uma delas. 

Uma das partes mais interessantes, em minha opinião, foi a análise da obra de Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, cuja influência perdura até hoje. Freud é como Shakespeare, povoa o imaginário coletivo e é conhecido “por tabela”. De acordo com Kate Millett, a visão de Freud com relação à mulher é, além de contraditória, cheia de misticismo. Sua crença na inferioridade intelectual do sexo feminino devido à sua natureza mais primitiva é especialmente desconcertante. 

Infelizmente, ele não é o único a propagandear dados científicos mais do que duvidosos. Particularmente interessante é perceber como o discurso da supremacia masculina tenta se adaptar a cada época. No período vitoriano, há a ideia de cavalheirismo, na qual mulheres tinham vidas extremamente limitadas “para sua própria proteção” e as que ousassem qualquer outra coisa, as “fallen women” eram aquelas que haviam perdido o contato com sua verdadeira natureza e tentavam ocupar o lugar dos homens na sociedade. Com o passar do tempo, aparecem as ideias da submissão feminina através do ato sexual, juntamente ao desprezo pela mulher com qualquer tipo de ambição intelectual. Posteriormente, o desprezo ao sexo feminino de modo geral, ante a inevitabilidade da emancipação feminina, aparece na forma da redução de todas as mulheres apenas ao sexo. 

É bastante interessante a análise de cenas e de escolhas narrativas pela perspectiva de relações de poder e é isso que Kate Millett faz em grande parte do seu livro. Suas considerações são bem embasadas e, por isso mesmo, bastante assustadoras. 

O que mais me surpreendeu foi a persistência de um tema que se pode encontrar facilmente na atualidade - a ideia das esferas diferentes. De modo sutil ou escancarado essa ideia percorre toda a história da relação entre os gêneros, frases como: 

“Mulheres são mais emotivas.” 

“Homens são melhores em matemática.” 

“Homens são mais visuais.” 

“Mulheres são naturalmente mais intuitivas, e homens mais racionais.” 

partem do princípio das esferas diferentes explicadas no livro. É frustrante ver algo assim ainda presente na sociedade. Também é um pouco decepcionante ver como um livro escrito há mais de 40 anos possa ser tão relevante e não só como documento histórico, mas como uma análise de problemas que ainda não foram resolvidos. 

Política Sexual é uma obra ousada e muito esclarecedora e, como tal, deve estar presente em qualquer biblioteca feminista que se preze.

Nota: Eu sei que há um versão em português publicada pela Dom Quixote, que é uma editora de Portugal. Não conheço nenhuma versão brasileira.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Minas na Literatura




Virginia Woolf

Então, né? Não existe mais machismo. Feminazi é tudo doida, vitimista, mimimi.  Pois é, eu quero ser escritora. Ou sou, não sei bem como funciona isso. Fiz letras e tenho quase pós – não fiz a monografia, mas cursei todas as matérias.

J.K. Rowling
Um dia pedi indicações de literatura contemporânea para um professor. Ele mencionou vários escritores, mas, grande surpresa, nenhuma escritora. Perguntei se ele não tinha nenhuma escritora para indicar, mas ele não conseguiu se lembrar de nenhuma. Fiquei meio puta, achei meio absurdo.

É muito absurdo.

Numa universidade, falando com especialistas e nada.

Clarice Lispector
Em uma pesquisa feita por Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB), constatou-se que cerca de 93,9% dos escritores são brancos, 72,7% são homens, 47,3% moram no Rio e 21,2% moram em São Paulo.

Desses dados surgem duas possibilidades.

Primeira. Homens brancos residentes no eixo Rio-São Paulo são melhores e têm mais inclinação para a literatura que os demais brasileiros.

Segunda: preconceito. Talvez os não-homens-brancos-Rio-São-Paulo não tenham as mesmas oportunidades.

O que será? Hmmm...


Maya Angelou
Eu sempre tento ler obras escritas por mulheres, negros, LGBTs, mas, mesmo assim, entre meus livros a maioria é de autoria dos ditos cujos: homens brancos Rio-São Paulo. Se alguém te pedisse pra listar cinco escritores contemporâneos – contemporâneos mesmo, que estão publicando agora – quantos deles seriam mulheres? Negros? Trans?

Tá feia a coisa... Passou da hora de todo mundo ter voz, representatividade, protagonismo e tudo a quem tem direito. Imagina que delícia ler o mundo sob outras perspectivas?

Quem sabe as coisas mudam um pouquinho... já passou da hora.




sábado, 4 de abril de 2015

Músicas que empoderam - Don't rain on my parade!





A versão de Funny Girl com a Barbra Streisand é simplesmente incrível, mas também gosto muito da versão de Lea Michele como Rachel Berry em Glee. Só vou dizer uma coisa: Não me diga pra não viver ;)

DON'T RAIN ON MY PARADE

Don't tell me not to live
Just sit and putter
Life's candy
And the sun's a ball of butter
Don't bring around a cloud
To rain on my parade

Don't tell me not to fly
I simply got to
If someone takes a spill
It's me and not you
Who told you
You're allowed to rain on my parade

I'll march my band out
I'll beat my drum
And if I'm fanned out
Your turn at bat, sir
At least I didn't fake it
Hat, sir
I guess I didn't make it

But whether I'm the rose
Of sheer perfection
A freckle on the nose
Of life's complexion
The cinder or the shiny apple of its eye

I gotta fly once
I gotta try once
Only can die once, right, sir
Oh, life is juicy, juicy and you see
I gotta have my bite, sir

Get ready for me, love
Cause I'm a "comer"
I simply gotta march
My heart's a drummer
Don't bring around a cloud
To rain on my parade

I'm gonna live and live now
Get what I want, I know how
One roll for the whole shebang
One throw that bell will go clang!
Eye on the target and wham!
One shot, one gun shot and bam!
Hey Mister Arnstein, here I am!

I'll march my band out
I'll beat my drum
And if I'm fanned out
Your turn at bat, sir
At least I didn't fake it
Hat, sir.
I guess I didn't make it

Get ready for me, love
Cause I'm a "comer"
I simply gotta march
My heart's a drummer
Nobody. No, nobody
Is gonna rain on my parade

quarta-feira, 11 de março de 2015

Músicas que empoderam - Alix Olson : A Boca de Eva



Eve’s Mouth 




A boca de Eva dói de tanto segurar o riso 

Por uma piada que algum acadêmico fez 

Sobre ela ser a metade de alguém, 

Foi uma piada, uma mentira, um exagero, uma farsa 

E agora todos acreditam que eu vim da costela dele! 

Ela grita com todas as suas forças: 
Eu sou inteira! Sou corpo, coração, mente, alma. 



Bem, a Rainha Vitória deu conselhos a sua filha 

Pois a filha estremeceu em sua noite de casamento 

A Rainha Vitória disse a sua filha 

“Apenas não se mexa e pense no Império” 

E o marido, apesar de gentil e brando 

Nunca parou para pensar por que ela nunca sorria. 


Chapeuzinho Vermelho andava pela estrada afora 

Carregando os doces, 

ela pensou “Eles vão estragar” 

Então ela comeu todos e foi assim 

Depois vomitou tudo por medo de engordar 

Porque até a Chapeuzinho lê revistas 
Daquelas que publicam dietas para pré-adolescentes 



Também tem a Cinderela, sossegada em casa 

Se sentindo feliz por estar sozinha 

Está brincando com os camundongos e cantando com os pássaros e eles são os únicos que a ouviram dizer isto. 

Ela disse “Vou entrar nessa abóbora. Fazer tudo certo, chorar e perder meu sapato, dar chilique à meia-noite. 

Mas há uma coisa da qual o príncipe pode não gostar 

É da Fada-madrinha que estou a fim, 
Eu sou sapatão!” 



Ela grita com todas as suas forças: 

Eu sou inteira! Sou corpo, coração, mente, alma. 

Ela grita com todas as suas forças: 

Eu sou inteira! Sou corpo, coração, mente, alma. 



E a Branca de Neve, uma mulher muito prendada, ela limpa, cozinha e cuida de anões. Um dia eu lhe disse: “Branca de Neve, volte para a escola” 

Ela disse: “Não, não posso, me sentiria uma tola. Sabe, é difícil para nós mulheres tentarmos ser nós mesmas, nós passamos a vida inteira cuidando de duendinhos” 



Também temos a Rapunzel, sossegada na torre, esperando pelo belo príncipe, 

Foi-lhe tirada toda sua força... 

Um belo dia, finalmente, o príncipe apareceu 

Gritou para Rapunzel “Ei, garota, deixe cair!” 

Mas nossa querida Rapunzel não pôde ser avistada; 

Sim, nossa querida Rapunzel havia aprendido algo muito legal 
“Todo aquele tempo sozinha me ensinou como lidar com a situação 
Então eu raspei a cabeça e fiz uma corda!” 



Helena, de Tróia, dizem que foi a causa de uma guerra 

Por causa do tamanho de sua saia e do formato de seus lábios 

E quando aquele bardo velho colocou disse que a culpa era dela 

Pela violação de uma nação 

Lugar errado. Hora errada. 

Helena simplesmente murmurou “A história é nosso teste. 
Vejam as entrelinhas, garotas, leiam além do texto” 



Ela grita com todas as suas forças: 

Eu sou inteira! Sou corpo, coração, mente, alma. 

Ela grita com todas as suas forças: 

Eu sou inteira! Sou corpo, coração, mente, alma. 

Ela grita. 





quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Músicas que empoderam - Less teeth, more tits - Lunachicks





Uma das músicas mais fodásticas de uma das bandas mais fodasticamente feministas que conheço. 

Less Teeth, More Tits


Miss Demeanor, a miss take a miss hap-oh. 
I implore you. It's no miss tery I dont wanna know you 
But Miss America I cant Ignore you 

You can wipe out all our progress with your little cotton ball 
slice and dice your face to perfection 
Slip up a word and down you fall 
teeth are chapped, lipo-sucked 
hair is set and nose is contoured. 
tummy's tucked and boobs are lifted, 
uncross your legs and your pantyhose shifted 

am I smilin enough? am I smilin too much? 
am I tucked in and buckled, do my tits touch? 
Hi, how are you, how high are you 
Less Teeth and More Tits Its never enough 


You'll never be good enough 
you got Less Teeth & More Tits 
What a bunch of hipocrits tryin to change the world 
bonded tooth smiles travel so many miles 
how you gonna change the world? 
I wanna see something else 
why wont you show me something else 


You put the X-tra in ordinary 
you are the minus to the plus size 
You put the blues into my brown eye 
you put the "turd" into saturday 
something different and meaningful 
that makes your smiles not seem so evil 
when that crown falls off your head 
will you still feel better off dead? 
I wanna see something else. 




Senhorita Conduta, um erro, um acidente 
Eu te imploro
Não é mistério eu não quero conhecer você
Mas Miss América, eu não posso te ignorar.

Você pode afastar todo o nosso progresso
Com sua pequena bola de algodão
Fatiar e servir seu rosto até a perfeição
Erre uma palavra e você desce e cai.
Dentes rachados, lipoaspiração
Cabelo arrumado e nariz acentuado
Estomago pregado e asneiras são erguidas
Descruze suas pernas e sua meia calça trocada.

Eu estou sorrindo o bastante? Eu estou sorrindo demais?
Estou pregada e torcida, meus seios estão apalpáveis?
Oi, como vai você, o quanto alta você está?
Menos dentes e mais seios nunca é o suficiente.

Você nunca será boa o bastante
Você tem menos dentes e mais seios
Como um bando de hipócritas tentando mudar o mundo
Sorrisos forçados viajando por tantas milhas
Como você vai mudar o mundo?
Eu quero ver outra coisa.

Você colocou algo mais onde já era demais
Você é o menor dos maiores
Você colocou azul sobre meus olhos castanhos
Você estragou o sábado.
Você pode afastar todo o nosso progresso
Com sua pequena bola de algodão
Fatiar e servir seu rosto para a perfeição
Erre uma palavra e você desce e cai.

Eu estou sorrindo o bastante? Eu estou sorrindo demais?
Estou pregada e torcida, meus seios estão apalpáveis?
Oi, como vai você, o quanto alta você está?
Menos dentes e mais seios nunca é o suficiente.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Quando crescer quero ser... Elizabeth Bennet


Orgulho e Preconceito, filme de 2005


Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) é o livro mais popular de Jane Austen e Elizabeth Bennet sua personagem mais querida pelos leitores. Além de inteligente, é perspicaz, dinâmica e, ao invés de se escandalizar com a pequeneza dos outros, ri dela. Confiante, ela não se importa em ser diferente e nem em dar voz a suas opiniões. O romance de Jane Austen narra como Mr. Darcy corteja e conquista Elizabeth. Apesar de sua clara superioridade aos olhos da sociedade é ele quem precisa se esforçar para se tornar digno do amor da moça. 

Mas o que torna a heroína de Orgulho e Preconceito tão especial? Elizabeth tem uma mente independente. Em sua recusa à proposta de casamento de Mr. Collins e, em seguida, a de Mr. Darcy, Elizabeth desafia as regras da sociedade e o senso comum da época. Mr. Collins poderia evitar o desamparo da família após a morte de Mr. Bennet e Mr. Darcy é a definição de um bom partido: rico e solteiro. Ao negar as duas propostas de casamento recebidas, ela desafia sua posição social e sua condição de inferior em uma sociedade na qual a mulher só tem valor como esposa. Elizabeth parece não ter problemas em continuar solteira até que encontre alguém que possa realmente aceitar. 

A vivacidade intelectual de Elizabeth e sua disposição para argumentação não deixam de chamar atenção e causar alarme, um dos momentos em que Elizabeth é mais incrível acontece no final do capítulo oitavo numa conversa entre Mr. Bingley, suas irmãs, Elizabeth e Mr. Darcy: 

Apesar do grande número das minhas relações, não posso gabar-me de conhecer mais de meia dúzia de moças realmente prendadas. 
— Nem eu — disse Miss Bingley. 
— Nesse caso — observou Elizabeth — deve exigir muitas qualidades para o seu ideal de mulher prendada.
— De fato, exijo muitas qualidades.
— Oh, certamente — exclamou a sua fiel aliada.
— Nenhuma mulher pode ser realmente considerada completa se não se elevar muito acima da média. Uma mulher deve conhecer bem a música, deve saber cantar, desenhar, dançar e falar as línguas modernas, a fim de merecer esse qualificativo, e além disso, para não o merecer senão pela metade, é preciso que possua um certo quê na maneira de andar, no tom da voz e no modo de exprimir-se.
— Sim, deve possuir tudo isso — acrescentou Darcy. — E acrescentar ainda alguma coisa mais substancial: o desenvolvimento do espírito pela leitura intensa.
— Já não me espanto de que conheça apenas seis mulheres completas, espanto-me é de que conheça alguma. 
— Julga com tanta severidade o seu sexo, que duvida da possibilidade de tudo isto? 
— Eu nunca vi uma mulher assim. Nunca vi tanta capacidade de aplicação, gosto e elegância reunidas numa só pessoa. 

Elizabeth, ao ouvir as palavras de Mr. Darcy, recusa sua noção do que uma dama deveria ser, ela não se encolhe ante as opiniões daqueles socialmente superiores e nem deixa de mostrar seu desdém pelo exagero das exigências impostas à mulher. Pode parecer bobo hoje em dia, mas é preciso lembrar que Orgulho e Preconceito foi publicado numa época em que mulheres não tinham direitos. Se hoje muitas mulheres sofrem retaliação apenas por falarem o que pensam, imagine a situação dois séculos atrás, por isso esse diálogo aparentemente banal representa um grande desafio à opressão exercida sobre as mulheres. 

Os defeitos de Elizabeth a tornam real e acessível, ela é cínica e às vezes implacável, quando sua amiga Charlotte Lucas anuncia que se casará com Mr. Collins, Elizabeth fica estupefata e reflete que nunca verá a amiga com os mesmos olhos novamente. A heroína também é rápida a julgar, depois que ela forma uma certa opinião sobre Mr. Darcy, demora a dissuadir-se dela, e por conta disso, por muitas vezes o trata de maneira rude. 

Orgulho e Preconceito, mini série da BBC de 1995
A história de amor entre Elizabeth e Darcy só funciona porque os dois são parecidos, ambos são honestos e tentam corrigir seus erros e defeitos assim que os percebem. É por isso que Elizabeth só aceita Darcy depois que ele ouve seus motivos para a recusa da primeira proposta de casamento e tenta corrigi-las. Quando isso ocorre, ela revisa sua opinião sobre ele e percebe seu equivoco. Ele prova que não é orgulhoso ao extremo pelo modo como trata Elizabeth mesmo depois dela o ter rejeitado. E ao invés de se ressentir de sua independência, a admira por isso. 

Os amantes valorizam coisas diferentes da grande maioria das outras personagens. Darcy admira a independência de Elizabeth e só passa a considerá-la bonita, depois de ela ter provado seu valor aos seus olhos. Elizabeth acredita que para ser feliz é preciso mais que dinheiro e um marido. Ambos procuram afinidade de espírito e é por isso que podem ser felizes juntos. 

O trajeto dos dois na história é muito parecido, mas é Elizabeth quem ensina Darcy sobre o amor. Em sua primeira proposta ele não tinha dúvidas da aquiescência dela. Para ele, era inimaginável que ela recusasse a honra de pertencer a ele. Nesse relacionamento complexo, tanto Elizabeth quanto Darcy se tornam melhores a partir do momento que assumem seus erros e tentam corrigi-los, o caminho para os dois ficarem juntos é um de aprendizagem, no qual ambos precisam repensar suas crenças e avaliar suas falhas. Quando finalmente conseguem se unir, é porque há uma igualdade de inteligência, sensibilidade e reconhecimento do valor alheio. Elizabeth sabe que nem todo casamento é capaz de trazer felicidade e é por isso, que só se entrega a alguém capaz de a admirar e respeitar tanto quanto merece.  


Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen faz uma crítica à obsessão da sociedade de sua época com o casamento, assim como a falta de opções para mulheres (que só podem ascender socialmente pelo casamento). Elizabeth nega e desafia esses valores, ela é responsável pela construção de sua felicidade. A heroína mais adorável de Jane Austen controla o rumo de sua vida e se esforça para não cair nas armadilhas da vida em sociedade. Elizabeth encontrou a felicidade no casamento, mas se isso não tivesse acontecido, ela ficaria bem, pois escolheu ser uma pessoa completa e não somente uma esposa. Por isso, ela é um exemplo de integridade e força, é claro, sem perder o charme que a faz tão atraente até os dias de hoje.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ele simplesmente não está a fim de você - um livro de auto-des-ajuda






Essa semana eu li o livro de auto-des-ajuda Ele simplesmente não está a fim de você – entenda os homens sem desculpas. O livro foi escrito pelos roteiristas da série Sex & the City, Greg Behrendt e Liz Tuccillo. A ideia central é que as mulheres precisam parar de inventar desculpas para o comportamento dos homens e... bem, entender que eles não estão a fim. O objetivo parece ser fazer com que as mulheres enxerguem a verdade e parem de perder tempo com caras que não as valorizam. Parece ótimo, né? Mas quando terminei a leitura, fiquei péssima, parecia que alguém tinha me dado um soco no estomago. Esse post serviu para me ajudar a entender o porquê. 

O problema é que o livro utiliza inseguranças femininas para tentar empurrar papéis de gênero ultrapassados e criar expectativas absurdas que aumentam essas inseguranças e olha só que incrível, fazem as pessoas comprarem mais livros. Ele simplesmente não está a fim de você te induz a se odiar e pensar que todos os seus desejos e reações estão errados. Em suma, o livro diz que para conseguir um homem, você tem que deixar de ser você.

É brilhante! Um livro ensinando a mulher moderna e emancipada a ser mais... submissa. No final de cada capítulo há uma lista intitulada: O que você deveria ter aprendido neste capítulo, algumas preciosidades do primeiro apenas: