sábado, 17 de janeiro de 2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ele simplesmente não está a fim de você - um livro de auto-des-ajuda






Essa semana eu li o livro de auto-des-ajuda Ele simplesmente não está a fim de você – entenda os homens sem desculpas. O livro foi escrito pelos roteiristas da série Sex & the City, Greg Behrendt e Liz Tuccillo. A ideia central é que as mulheres precisam parar de inventar desculpas para o comportamento dos homens e... bem, entender que eles não estão a fim. O objetivo parece ser fazer com que as mulheres enxerguem a verdade e parem de perder tempo com caras que não as valorizam. Parece ótimo, né? Mas quando terminei a leitura, fiquei péssima, parecia que alguém tinha me dado um soco no estomago. Esse post serviu para me ajudar a entender o porquê. 

O problema é que o livro utiliza inseguranças femininas para tentar empurrar papéis de gênero ultrapassados e criar expectativas absurdas que aumentam essas inseguranças e olha só que incrível, fazem as pessoas comprarem mais livros. Ele simplesmente não está a fim de você te induz a se odiar e pensar que todos os seus desejos e reações estão errados. Em suma, o livro diz que para conseguir um homem, você tem que deixar de ser você.

É brilhante! Um livro ensinando a mulher moderna e emancipada a ser mais... submissa. No final de cada capítulo há uma lista intitulada: O que você deveria ter aprendido neste capítulo, algumas preciosidades do primeiro apenas:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Porque nunca é um só



mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


Paulo Leminski

domingo, 4 de janeiro de 2015

Carta a um analfabeto




por Nancy Denommee

Você me amaria se eu fosse bonita? Se meu batom fosse vermelho? Se não chorasse tanto? Se tivesse dito não? Me amaria se não requisitasse tanto o seu corpo? As suas mãos? Os seus olhos. Me amaria se não fosse por ela? 

Seus pensamentos não me procuram e minha vida tomada de você. Meu primeiro. Meu último. Todos os outros. 

Eu não te deixei entrar, eu te empurrei quando você disse não. Disse não e resistiu pouco, sorrindo. Foi como uma avalanche que inventei de tanto querer. Você entrou em todos os espaços, todos os amores, todos os desejos. Fui me partindo e te entregando cada pedaço até desmanchar-me em suas mãos. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

A festa da carne







Com 52 anos, Sérgio era normal. Baixinho, gordinho, careca. Não, careca não. Mantinha com orgulho alguns fios como uma coroa de louros guardando uma mente campeã. Agarrava-se aos pequenos e finos lembretes de uma juventude perdida com garras de quem não desiste da batalha até que esteja prostrado ao chão esvaindo-se em sangue.

Ele que valorizava acima de tudo os cada vez mais esparsos fios não entendia esses moços passando gel nos cabelos, deixando-os espetados, duros, esquisitos. Não entendia muitas coisas, jovens usando brincos, anéis, pulseiras. Que absurdo! Alegrava-se por só ter filhas, três. Fazia de tudo para educar bem suas meninas e sempre se viu próspero, satisfeito, orgulhoso até que não mais. 

A mais nova namorava um rapaz com cabelos que chegavam até a cintura, de um loiro brilhante, todo ondulado. Quando vira Érica beijando o moço em frente à garagem, quase tivera seu terceiro infarto. Também, ao presenciar sua filha com outra garota, quem resistiria? Naquele momento sentiu como se nada mais fizesse sentido. Não fazia mesmo. Namorar um homem, “homem”, com cabelo na cintura não era muito melhor e o rapaz ainda dizia que não gostava de trabalhar. Um vagabundo, achava que era artista. Vagabundo, isso sim! Érica tinha 19, Igor, 17 e ela passava todos os fins de semana na casa dele, dormindo no mesmo quarto. Onde já se viu? Uma moça dormindo no mesmo quarto que o namorado. Imagina o que a família dele pensava dela, Érica, e o que pensava dele, Sérgio. Com certeza viam-no como um pai relapso. Ele não sabia o que fazer, tentava conversar com a garota, mas ela somente o encarava com desdém, isso quando não decidia ignorá-lo e deixa-lo falando sozinho.