sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Bonsai - Alejandro Zambra
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Um sonho que se realiza
Se alguém quiser adquirir pode entrar no site www.mahanacassiavillani.com.br ou me chamar no Whatsapp (11) 99111-7614
Prepare-se leitor.
Os contos de "Deus é bom e o diabo também", livro de estreia de Mahana Cassiavillani, são uma afetuosa arma de deixar chagas que não cicatrizam. Contos habitados por seres que vagueiam entre a delicadeza e a crueldade. Estão tão próximo de nós que quase somos capazes de sentir o odor que exala de seus corpos, são pessoas comuns, anti-heróis. E podemos, de repente, nos reconhecermos neles. É provável que já tenhamos esbarrado em alguns desses seres.no ônibus, no metrô, no meio da rua ou em alguma repartição pública, mas também também é possível encontrá-los nas redes sociais e dentro de casa, no contato com a família. No entanto, é preciso enxergar para além de suas máscaras, cavouvar os segredos do que não está dito.
Mahana tem intimidade com a arte do conto. Sua narrativa vibra na tensão entre clareza, concisão e um lirismo ácido. Percorre o universo das relações humanas: dos amores incompreendidos, passando pelo desencanto do sexo ao desespero da existência. Investiga sem maquiagens essas relações, expõe os seus preconceitos, dramas, temores e anseios. Escancara o que o bom costume pede para se colocar debaixo do tapete. Não se compadece, nem enaltece suas criaturas, dá a elas a chance de ser o que são. Não há julgamentos, apenas os fatos.
Nesta potente coletânea de contos, contrariando o maniqueísmo, Deus e o Diabo estão sempre de mãos dadas.
Boa leitura.
Marcelo Maluf
Para conhecer meus livros, acesse www.mahanacassiavillani.com.br
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Filhos do Vento
sábado, 22 de julho de 2017
Como clichete
O trabalho engole a gente. Engole, não. Mastiga. E depois cospe. E a gente não sabe mais o que é perna, braço, cotovelo. Não sabe mais o que é gente. Se é gente.
E no trabalho a gente pede mais. Olha essa parte macia, delicada. Pronta pra ser engolida. Mas eles nunca engolem. A gente nunca pertence.
Fazem a gente querer pertencer. Senão é chutado pra fora. Senão não é bom o suficiente. Se não vai morrer de fome.
Trabalho é objeto de consumo.
Que a gente consome e quer consumir pelo medo.
O trabalho faz a gente querer ser mastigado, pedir pra ser mastigado. E quando percebe que não está sendo mastigado o suficiente, a gente fica com medo de não ser mastigado nunca mais.
E passa a vida tentando ser mastigável. Fazendo curso de mastigação para business. De comunicação mastigável.
Tem umas pessoas que parecem que não sabem, ou sabem demais, ou fingem não saber.
Elas não são mastigadas. São flexíveis. Se grudam nos dentes como chiclete e deixam a mordida ainda mais dura.
Acham que fazem parte, se sentem parte e se não der certo, vão ser parte em outro lugar.
Enganam talvez a si mesmas e aos outros. Ou talvez não enganem ninguém.
Quem descobre que é mastigado e que sempre pediu pra ser mastigado não sabe olhar pra essas pessoas. Tem raiva, inveja e orgulho.
Orgulho de ficar preso entre dentes por não saber aceitar.
Um orgulho do medo, da negação, do aprender-se mastigado e não ter sobrado nada. Nem uma parte sem marca de mordida.
A consciência da miséria.






