quarta-feira, 1 de julho de 2015

Bruno


Este é o último texto que escrevo pra você.
Talvez outros apareçam, mas terão vindo antes.

Eu poderia falar de quanto sofri. Quanto você me fez sofrer.  Quanto eu me fiz sofrer. Mas já fiz isso tantas vezes e nunca terei o que não foi.

Eu poderia me vingar e te pintar como eu te vejo. Ou pior. Poderia até te escrever exatamente como você é, o que incomodaria mais. Mas já fiz isso tantas vezes e nada tira a minha dor.

Eu poderia falar de quanto te amei e das coisas bonitas que vi a seu lado. Mas seria uma mentira. Eu nunca te amei. O que eu amei foi meu desejo de te salvar da sua miséria, de resgatar a menina presa no fundo dos meus olhos.

Nisso somos iguais. Você também só amou o que estava em você.

Eu poderia manchar meus sonhos no papel e escrever uma história do que deveria ter sido. Talvez virasse um best-seller e depois um filme que encheria os olhos de água e fizesse suspirar.

Eu também poderia escrever sobre o desejo. Mas não vou. Agora que ele não existe mais, suas lembranças se misturam à realidade e você só me trouxe memórias tristes. Vejo com olhos que não queria abrir.

O buraco que você deixou foi grande, mas ele está se fechando e não vai deixar cicatriz. Eu poderia acariciá-lo, de leve no começo, depois cada vez mais forte até que estivesse lá. Eu sofreria, sei fazer isso como ninguém, e você seria presença de novo.

Então eu poderia escrever cheia de dor, de desejo, raiva, sarcasmo e vingança, mas não vale a pena.

Minha criatividade não é mais pra você.

Esse texto não é literatura.

Esse texto é uma despedida.

Veio tarde, mas está aqui.


Por favor, não leia.

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